O Incompreendido (poema)

Quem é livre
Não sabe que o é;
Quem não é livre
Sabe que não o é
 
Mas mesmo o não-livre
Não consegue explicar a liberdade,
Porque não a sente concretamente,
Mas sim a sua saudade.
 
E até a saudade que sente
Não consegue compreender,
Porque sente a da liberdade
Que outrora não sabia ter.
 
Lembra-se dos passeios que fazia,
Sentindo o mar e a brisa lenta
De sítios onde, por poucas coisas,
O livre agora se lamenta.
 
Mas a vida seguirá sempre
Na sua montanha alcantilada.
O livre continuará a não ser livre
E o não-livre na sua caminhada
António Cardoso
2021

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