Ambivalência do Olhar (opinião)

Perguntar é uma característica do ser humano. É uma capacidade que nasce connosco e que nos acompanha na vida. Lembro-me tanto das vezes em que, quando era mais pequeno, perguntava à minha mãe pequenas dúvidas minhas. Por vezes, perguntava tanto, tanto, tanto que ela até se zangava comigo.

Farto-me de fazer perguntas sobre a vida (devido à minha idade) e fico muito triste por saber que a maior parte delas não tem resposta: Haverá vida após a morte? Qual o sentido da vida? Sou católico e, por isso, sei responder bem a algumas destas perguntas relacionadas com morte. Porém, existem tantas respostas de outras religiões e culturas que me perco neste infindável cruzamento de ideias e ideais e, sem querer, acabo por duvidar um pouco dos ideais da minha religião.

De que matéria somos feitos? Um professor de ciências ou um médico diria algo como células e tecidos. Mas acho que somos feitos de algo mais elevado, histórias. A vida é feita de memórias e os livros são baseados nessa realidade. Porém, as histórias de uns são completamente diferentes de outros e, por isso, existem muitos pontos de vista numa mesma vivência. É isso que nos faz pessoas tão complexas e que nos torna tão difíceis de explicar.

Por que existe tanta maldade no mundo? Eu sei que todos temos um lado bom e um lado mau e que temos de viver com eles, mas parece haver pessoas em que o lado mau predomina. Acho incrível quanta falta de humanidade existe e isso ainda me faz perguntar outra coisa: Como é possível que a palavra “humanidade” derive da palavra “humano”? Não existe animal mais desumano que o ser humano! Nunca vi qual qualquer rato a fabricar uma ratoeira para matar um outro rato! Mas, já o ser humano possui bombas atómicas e armas nucleares, tendo estas um único intuito: matar!

É isto que torna o ato de perguntar tão complexo. Existem inúmeras respostas às mesmas perguntas e todos nós temos de respeitar cada um com a sua opinião. Porém, nunca devemos deixar de questionar e de nos questionarmos, já que é isso que nos ajuda a transformar o mundo e a fazê-lo melhor a cada dia que passa.

António Cardoso
2021





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