Todos os campos, todas as cidades,
Todos os prados, todos os mares
O veem, pela manhã, acordar.
Todas as bonanças, todas as
tempestades,
Todas as injustiças, todas as maldades
O veem, no zénite, raiar.
Todas as guerras, todas as mágoas,
Todas as alianças, todas as nódoas,
O veem, pela tarde, iluminar.
Todas as fomes, todos os injustiçados
Todos os pobres, todos os escravos,
O veem, pelo poente, mergulhar.
Toda a Europa, toda a Ásia,
Toda a América, toda a África
O vê, pela noite, descansar.
E, se num dia, ele deixar de raiar
E, para sempre, no oceano ficar,
Todos a sua falta sentirão
E, perante a escuridão,
Ninguém mais que ninguém se sentirá.
Todos os prados, todos os mares
O veem, pela manhã, acordar.
Todas as injustiças, todas as maldades
O veem, no zénite, raiar.
Todas as alianças, todas as nódoas,
O veem, pela tarde, iluminar.
Todos os pobres, todos os escravos,
O veem, pelo poente, mergulhar.
Toda a América, toda a África
O vê, pela noite, descansar.
E, para sempre, no oceano ficar,
Todos a sua falta sentirão
E, perante a escuridão,
Ninguém mais que ninguém se sentirá.
António Cardoso
2021

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