Névoa Incerta (poema)

Imagina-se, com os olhos,
Uma nuvem que no céu passa.
Vemos todo o mundo nessa névoa,
Menos aquilo que dela se trata

Observadores como somos
Imaginaremos tudo sem demora.
Não pensaremos duas vezes
E a nuvem ir-se-á embora
 
Mas as restantes nuvens
No céu iriam ficar
Mudariam a sua forma,
E tentar-nos-iam enganar.

Chamariam muito a atenção
Por se terem tornado tão belas
Ficariam cheias de observadores
Mas tapariam, no céu, as estrelas.
 
Porém, de umas simples nuvens,
Nunca passarão, certamente
Mesmo se virmos nelas
Uma ovelha, uma serpente!
António Cardoso
2020
Fonte da imagem: https://www.publico.pt/




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